MÚSICA, MATEMÁTICA E FILOSOFIA

Dia desses, assistindo um vídeo que abordava a matemática na música de Beethoven, imediatamente o correlacionei com preciosidades como a filosofia pura da matemática pitagórica, a música das esferas de Platão e os princípios herméticos contidos no Caibalion... Refleti sobre o Mistério presente nas Leis da Natureza para auxiliar o ser humano a buscá-Lo e reconhecê-Lo dentro dele mesmo, a partir do acesso consciente ao seu próprio coração... Fui invadida por profunda reverência e gratidão a Ordem - Inteligência - implicita no aparente Caos...

Como andam imbricadas, filosofia e matemática! A música, como dança e movimento, me parece reverberar desse diálogo...

Do que se entende comumente por matemática hoje, lamento ter vago domínio das quatro operações e da regra de três, sempre reafirmando resultado com a calculadora...

Tudo muda quando percebemos a matemática como uma linguagem cifrada da ordem implícita no movimento do universo. Aqui dilata-se o campo da racionalidade, habitualmente atrofiado... Razão e intuição se unem, a serviço da Inteligência!

A música, do prisma de quem a contempla, não é pensada... é sentida! Mas todo profundo sentir é capaz de ligar mente e coração. De repente, conduzidos pelo magistral arranjo das notas, somos conectados com algo maior a partir de nós mesmos, alcança-se o campo do sentido e significado, tudo vibra em uníssono, ainda que por fugazes instantes.

Sentimentos éticos, estéticos e místicos se entrelaçam. O abstrato padrão da harmonia e do equilíbrio - que continuadamente legitimam o diferente - se faz concreto! Seja na música, no desbrochar de uma flor, no pôr do sol, no sorriso de uma criança, no olhar da pessoa amada...

Einstein, percebendo a matemática presente nisso tudo, afirmava ser a linguagem de Deus. Cada vez mais sinto ser a nossa linguagem, a da Vida... Ainda que, no ápice da arrogância humana, estejamos emitindo grunhidos dissonantes e registrando vislumbres de imagens em borrões, é o nosso processo e estamos todos banhados pela mesma energia...

Penso ser questão de tempo aperfeiçoarmos nossos aparatos perceptivos, robustecermos nossos sensos de conexão e nos comunicarmos na mesma frequência...

Muita história se deu até vingar o Sapiens no Homo. Muito paulatinamente o Amus tem nele vibrado. Amus, de amor, frequência ampliada do Húmus, de humildade, que se contrapõe ao Cúmulos, de acúmulo estéril. Talvez seja este nosso maior desafio, transcender a separatividade da sapiência!

(Link ao vídeo mencionado: https://youtu.be/zAxT0mRGuoY)

Artes, Ciências e Humanidades - Dinamismo e Incertezas - Filosofia e Espiritualidade - Cidadania

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