ENRAIZAMENTO — Presença Ativada

(Aqueles que não estão entre nós, que saibamos trazê-los vivos na memória. Meus sentimentos as famílias, aos amigos e as cidades)

Em alguns momentos sinto como se a alma de Gramado tivesse sido raptada… O que anima uma comunidade e possibilita transcender de maneira sustentável limites, de territórios e de ideias?! Suas raízes.

Sustentável vem de sustentar: apoiar, evitar a queda. E muitos tem tombado diante de nós… Gramado se orgulha com justiça de sua beleza, mas em alguns momentos tenho sentido falta até mesmo dela…

Estética, como beleza nas formas, precisa se fazer acompanhar de Ética, beleza no conteúdo e no trato. Quando a junção acontece a Mística se faz presente, como beleza das partilhas e das trocas, onde gerações distintas se permitem contemplar e desvendar juntas o mistério do existir.

Ah! Mas isso demanda tempo, coisa que não tenho!!! Nunca é demais lembrar que é nesse tempo que a vida se esvai. Nunca é demais questionarmos: o que preservo com o uso que faço do meu tempo (vida) me define ou é mais uma barreira entre o que tenho e o que sou?!

Nesta terra todos trabalhamos muito, sim. Mas será que o fazemos com a alegria e a comunhão de antes?

Entre as lembranças que mais aquecem meu coração nesses dias gelados está o contentamento incontido de, muito pequena, na casa de meu bisavô materno, o “vô Floriano” (Júlio Floriano Petersen), em frente a Praça Major Nicoletti, no coração da cidade, ver meu avô paterno, o “Nonno” (Francisco Perini), chegar à cavalo da Linha 28, para uma cordial visita.

Nestas ocasiões, ritualizadas com um forte e caloroso abraço, os dois se sentavam lado a lado, trocavam impressões sobre o dia a dia da sede e da colônia, partilhavam sonhos para o contínuo florescimento da Cidade que tanto amavam.

Eu, atenta aqueles Dois Grandes que tanto amo, ia e vinha silenciosamente. Ora no colo de um, ora no colo de outro. Cada qual com sua singularidade, ambos relevantes partícipes na minha vida, mais tarde percebi que também na construção do Município.

Junto deles, muitos anos antes de conhecer siglas partidárias (eram opositores) e saber o que era fazer política (sentir, pensar e agir com senso do coletivo), muito antes das aulas de Direito e de Filosofia, muito antes de tanta coisa… experimentei o essencial: respeito, carinho, acolhimento, compromisso, pertencimento.

Em que ponto da estrada nos perdemos?! Suspeito que mapa e bússola estejam bem juntinho da gente… Não é preciso buscar fora, basta olhar dentro! Território dos achados e perdidos, alcova dos raptos não sentidos, berço de novas trajetórias…

Gramado, 21 de Setembro de 2020

Dia da Árvore…

E eu divagando sobre o quanto não se pode prescindir de raiz.

Artes, Ciências e Humanidades - Dinamismo e Incertezas - Filosofia e Espiritualidade - Cidadania

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