ADICÇÕES — Dependências na Contemporaneidade

Do território das drogas à toxidade das relações

Por mais que nos julguemos imunes a agentes externos e que tendamos a introspecção e solitude, estamos imersos em correntes de pensamento. Elas nos chegam por sons, imagens, ideias, ações… Estar vivo é, de alguma maneira, afetar e ser por elas afetado. Por seu intermédio tocamos o outro, o mundo e a nós próprios.

Música, dança, pintura, literatura, projetos, estudos, relações… provocam conversações, interseções onde uma estrutura de pensamento encontra ou colide com outra. Giramos entorno do mundo e de nós mesmos em busca de apaziguar os impactos, incômodos de nos sentirmos mais ou menos vivos.

Respeitadas as singularidades, convém, com deslocamentos e atenção necessários, percebermos e elegermos dentre as correntes de pensamento as que maior contentamento e realização nos trazem, as que permitem nossa mobilidade e expressão. Isso, sem perder de vista a saúde do agrupamento humano que nos cerca: família, amigos, sociedade.

Em contrapartida, amostragem significativa e crescente da população se vê aprisionada em subterfúgios que, passado o momento da euforia, quase sempre trazem dor e aflição. As adicções, dependências de toda ordem (química, emocional, intelectual, espiritual), que embotam o bom senso, o discernimento e a sensatez. Anestesiam o humano.

Nota — Texto introdutório ao Episódio ADICÇÕES, do Canal de Podcast FILOSOFIA CLÍNICA / Diálogos Transversais, disponível nas principais plataformas de áudio. https://anchor.fm/anaritadecalazansperine

Filósofa Clínica, Pesquisadora, Educadora, Mobilizadora Social e Empresarial / Instituto ORIOR — Resgate Filosófico, Transdisciplinaridade e Sustentabilidade.