A HISTÓRIA POR DETRÁS DA CENA

Na companhia de minha Mãe, estou quase finalizando a estadia em Porto de Galinhas, distrito de Ipojuca, local super aprazível a cerca de 80 km de Recife, capital de Pernambuco, no nordeste brasileiro.

Mais uma oportunidade de, em pleno inverno, entre uma pancada de chuva e outra, curtir o sol que tinge de azul esverdeado o mar e a gente de cor de rosa. Muitos sulistas fugindo do frio, ao lado de hermanos uruguaios e argentinos.

O povo daqui é simpático, educado e muito trabalhador! Gente que se vira, que “vende seu peixe” sem ser inoportuna, uma arte… que valoriza não só o ganha pão como a troca de olhares, sorrisos, impressões de mundo…

Senhoras e senhores, jovens, adultos e crianças… Nas embarcações, areias, calçadas, lojas e restaurantes… Cada qual com seus medos e sonhos… Realidades distintas, mas ainda assim tão semelhantes…

Pais novatos que adiaram um pouco o sonho da faculdade pra construir casa e sustentar família. Jovens que equilibram trabalho e estudo. Adultos que com o suor de seu trabalho levaram seus filhos às universidades, sem ter eles próprios a segurança do beabá. E muitos aposentados que para ter o que comer continuam na árdua, mas honesta labuta.

Percebi esperança no ar… Pensando nisto tudo e em uma grande lição que é a marca da minha Mãe, fala com Deus e o Mundo… como rápidas palavras trocadas, desde que plenas, de coração, despertam o melhor no outro e na gente… Sim, temos jeito! Somos realmente um povo singular, criativo, caloroso… baita mistura de raças esta nossa!

O que o Brasil precisa é revisitar e resignificar sua própria história, perceber que sua força vem da mestiçagem que todos trazemos no sangue. Quando nos orgulharmos dela, legitimaremos cada um e não admitiremos mais um governo que não seja capaz de nos representar por inteiro. Todos ou nenhum!!!

Quem sabe assim, algum dia, a história por detrás da cena paradisíaca deste local possa ser revisitada e difundida sem nos causar pudor, por sabermos que ignorâncias como estas foram vencidas…

O nome Porto de Galinhas, embora muito pouco ou quase nada se fale abertamente, vem de negros contrabandeados como escravos, escondidos nos navios embaixo de engradados de galinhas d’angola. Sua chegada a beira mar era anunciada pela senha "Tem galinha nova no Porto!"

Filósofa Clínica, Pesquisadora, Educadora, Mobilizadora Social e Empresarial / Instituto ORIOR — Resgate Filosófico, Transdisciplinaridade e Sustentabilidade.

Filósofa Clínica, Pesquisadora, Educadora, Mobilizadora Social e Empresarial / Instituto ORIOR — Resgate Filosófico, Transdisciplinaridade e Sustentabilidade.