A COMPLEXIDADE DO DIÁLOGO

Para nos posicionamos com maior consciência e consistência no atual momento que nos cabe viver é imprescindível uma revisita a conceitos e suas respectivas flutuações ao longo do tempo (deixo aí o da Liberdade de Expressão, ver link). Demanda mais que um olhar atento, requer também distanciamento histórico!

E como é difícil, embora vital, nos deslocarmos do impacto do que nos fere, machuca... Há que tangenciarmos as chagas da nossa própria história, seja individual ou coletiva. Forma de sair de sua sombria zona de atração, de romper com a influência paralisante que nos impede de buscar a solução, de trazer luz, lucidez, discernimento aos nossos conflitos, sejam públicos ou privados.

Isso é a forja humana, o choque de aparentes opostos, assim como é trabalhada a espada: no fogo e na água! Isso é busca pela integralidade, nos percebermos maiores e melhores que barulhentos resíduos desconexos que ficam ao longo do caminho. Isso é fazer e viver filosofia!

Não custa recordar que ativar os sensos de conexão (histórico, com a natureza, com as organizações, comigo mesmo e com os demais) deveria nos capacitar a melhor nos relacionarmos e a aguçar nosso olhar no sentido da Filosofia trazer em seu bojo, enquanto busca de sabedoria, o potencial de unir as quatro macro faces da expressão humana: artística, científica, política (do ser comprometido com a sociedade em que vive) e religiosa (religare, reconexão com o mais alto, em nós e fora de nós).

As nossas incoerências deveriam ser apontadas e detectadas por nós mesmos. Quando apontadas nos outros (e pelos outros) convém não esquecermos que sempre seremos espelhos imperfeitos: sujeitos a ondulações emocionais que tingem em profução de cores a paleta do ser, do existir e do perceber.

Como toda distorção tende a ser e gerar prejuízo, mesmo querendo refutar os barulhentos resíduos já citados, que alimentam fragmentações e parcialidades, acabamos por gerá-los.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_express%C3%A3o

Nota: Imagem da porta do Estábulo Sagrado, Santuário de Toshogu, Nikko, Japão (século XV). Retrata os três macacos sábios (não veem, não ouvem e não falam nada de malígno): Mizaru (o que cobre os olhos), Kikazaru (o que tapa os ouvidos) e Iwazaru (o que tapa a boca). Relacionado a eles e aos ensinamentos do mestre Confúcio estaria o provérbio japonês: “Nunca olhe demais, jamais ouça o que nunca ouviu e nunca levante falso testemunho do outro”.

Artes, Ciências e Humanidades - Dinamismo e Incertezas - Filosofia e Espiritualidade - Cidadania

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