A Complexa Experiência da FINITUDE, exorcizando a dor que respinga em mim

A noção de tempo é relativa, há o tempo vivido e o sentido, o tempo objetivo e subjetivo. Sempre que a passagem das horas pesa, incomoda, o tempo se arrasta. Horas podem parecer dias, semanas meses e anos décadas. Quimera é mera espera!

Os próprios sulcos que trazemos gravados nos rostos adquirem proporções descomunais, avassaladores de autoestima que nos convertem em desiguais. Na ânsia do tanto querer deixamos de desfrutar os muitos hoje... e o amanhã jaz latente, eternizado na angustiante espera da gente.

Desperdiçamos a vida que tanto queremos conter. O tempo escorre entre notícias reiteradamente comentadas, cuja novidade advém da nossa pouca presença em assimilar e guardar o venal. O sono, a impaciência, a irritação e a preguiça inebriam o ânimo, consomem a energia vital.

O olhar opaco, ora sombrio, ora perdido se faz acompanhar da rispidez que pragueja e insulta, negando-se a ver qualquer beleza.

De repente, como se mais de dois habitassem a gente, na presença de um elemento diferente do trivial pacificamos o ato, como se roteiro e cena novos se imprimissem na lente. Logo em seguida, entre os nossos, na coxia, sorrisos e doçuras cedem a ferpas, espinhos, muros, amargura... Atroz insensatez ao julgar inimigo mortal o presente, habitual.

No torvelinho enlouquecido dos segundos que formam os minutos que compõe as horas de nossos dias, somos constantemente sacudidos pelos nossos próprios medos e preconceitos.

"Só o dono da dor sabe o quanto ela dói", fato. Mas a não aceitação da dor pode estilhaçar desprazer por todos os lados, rechaçando nossa condição de eternos aprendizes. Negando-se a reconhecer a ferida não nos comprometemos com a cura, trocamos o bálsamo que apazigua pela crueldade de cultuar e espalhar cicatrizes.

De tanto querer transparecer fortaleza ocultamos a vulnerabilidade que nos liberta. A arrogância de nos julgarmos senhores absolutos de nosso próprio destino nega as mãos estendidas e liquifaz os companheiros de jornada, na mais completa e triste avareza.

Feras feridas sabem parar, se resguardar, dar tempo ao tempo... não ficam aquém, da dor vão além. Elas permitem que a natureza siga seu curso, resilientes se entregam ao fluxo da vida e ao poder de cura que do fluir advém.

A finitude é real mas não tem o porquê de provocar tanto mal. Assim acelera o passo, rompe com o compasso, abraça o banal, comunga com o desleal.

Entra geração, sai geração... o conflito não visualizado intensifica, multifacetado! A batalha de todos só abraçam alguns, desvendar para desatar os nós cegos que perfilam-se em lugar nenhum.

Filósofa Clínica, Pesquisadora, Educadora, Mobilizadora Social e Empresarial / Instituto ORIOR — Resgate Filosófico, Transdisciplinaridade e Sustentabilidade.

Filósofa Clínica, Pesquisadora, Educadora, Mobilizadora Social e Empresarial / Instituto ORIOR — Resgate Filosófico, Transdisciplinaridade e Sustentabilidade.